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A indústria automóvel e a Mobilidade sustentável

15 mar 2016 Notícias

A indústria automóvel e a Mobilidade sustentável

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A indústria automóvel e a Mobilidade sustentável

Artigo de opinião de António Cavaco – Associação Automóvel de Portugal

A mobilidade ambientalmente amigável e sustentável é um desígnio para os fabricantes de automóveis europeus e não apenas uma expressão politicamente correcta. Qual é o fabricante que não sonha em lançar no mercado, primeiro que a concorrência, um veículo com emissões zero e uma autonomia ilimitada?
Nos últimos anos o sector automóvel tem efectuado investimentos sem precedentes em tecnologia dos sistemas de propulsão, em sistemas inteligentes para automóveis sem condutor, em processos de produção mais limpos e eficientes, enfim, num conjunto de acções que se traduzem na redução das emissões poluentes e de CO2 e na melhoria da segurança.
A União Europeia estabeleceu os seguintes objectivos quanto a emissões de CO2:
• Automóveis ligeiros de passageiros: 95 g/km para 95% dos veículos em 2020 e 100% em 2021.
• Veículos comerciais ligeiros: 147 g/km em 2020.
No contexto internacional, a União Europeia tem mantido a liderança no que diz respeito aos objectivos de redução das emissões de CO2. No entanto, nos últimos anos a maioria das maiores economias mundiais tem progredido no sentido de uma convergência com a UE.

Artigo_01

Fonte: ACAP

Se no campo das emissões de CO2 produzidas por veículos automóveis têm-se verificado progressos consideráveis, o mesmo também tem acontecido nas emissões poluentes.
Na verdade, tecnicamente o CO2 não é poluente, mas sim um gás que, para além de ser essencial no processo da fotossíntese no reino vegetal, e, consequentemente, à vida, provoca o aumento do efeito de estufa e alterações climáticas. Já os gases como o monóxido de carbono ou os óxidos de azoto (NOx) são poluentes e têm um impacto directo na saúde humana.
Nos últimos anos foram conseguidas reduções muito significativas nos NOx, vigorando neste momento a norma Euro 6 na União Europeia. De acordo com a mesma, os automóveis a gasóleo, matriculados desde o passado dia 1 de Setembro de 2015, não podem emitir mais do que 80 mg/km de NOx.
Para termos uma ideia da evolução da redução das emissões deste gás nos últimos anos, em 2001, quando entrou em vigor a norma Euro 3 para novas matrículas, o referido limite máximo era de 500 mg/km, ou seja, em cerca de 15 anos os NOx foram reduzidos de 500 para 80 mg/km na União Europeia, o que corresponde a uma diminuição de 84%.
As normas Euro integram outros poluentes para além dos NOx, designadamente, o monóxido de carbono e as partículas e aplicam-se a todos os veículos automóveis matriculados na União Europeia.

Um dos caminhos para diminuir as emissões poluentes de CO2 é a redução da mobilidade o que é algo que os cidadãos e eleitores não estão dispostos a abdicar.
Apesar dos progressos registados no sector dos transportes públicos, o transporte automóvel privado quer de pessoas, quer de mercadorias, será sempre um elemento indissociável da mobilidade e da liberdade individual características da sociedade moderna.
É necessário seguir outro caminho, aquele que está neste momento em curso e que consiste na redução do impacto ambiental do automóvel.
Infelizmente existem limites em termos de ganhos de eficiência dos motores de combustão interna (a gasolina e a gasóleo). Tendo em conta esta restrição, a mobilidade eléctrica desempenhará um importante papel na prossecução dos objectivos definidos pela União Europeia e pelos Governos das principais economias mundiais.

Existem vários tipos de veículos eléctricos que se incluem no grupo dos Veículos Eléctricos Recarregáveis (ECVs – Electrically Chargeable Vehicles), designadamente:
• Veículos eléctricos recarregáveis em que as baterias são a única fonte de energia: Battery Electric Vehicles (BEV). Por exemplo, o Nissan Leaf, o BMW i3 ou o Volkswagen e-Golf.
• Veículos eléctricos com mobilidade assistida utilizando energia da bateria e uma quantidade limitada de energia proveniente de um motor de combustão interna para situações de emergência. Por exemplo, o BMW i3 (versão com motor auxiliar de combustão interna).
• Veículos com extensão de autonomia (EREV – Extended-range electric vehicles), que utilizam as baterias como principal fonte de energia, mas que usam o motor de combustão como extensor de autonomia, alimentado com hidrocarbonetos, após o esgotamento das baterias. Por exemplo, o Opel Ampera.
• Veículos eléctrivos híbridos plug-in (PHEV – Plug-in hybrid electric vehicles) que utilizam as baterias como principal fonte de energia nas pequenas deslocações diárias, mas que também podem funcionar em modo híbrido normal utilizando o motor de combustão alimentado a hidrocarbonetos, se necessário. Por exemplo, o Mitsubishi Outlander PHEV ou o Toyota Prius Plug-in.
Por uma questão de simplificação, passaremos a dividir o mercado de veículos eléctricos recarregáveis em eléctricos puros e híbridos plug-in os quais, por sua evz, incluem as restantes categorias, excepto os eléctricos puros.
As vendas de veículos eléctricos recarregáveis na União Europeia representaram apenas 1,4% do mercado automóvel europeu em 2015, dos quais 0,68% foram vendas de eléctricos puros e 0,72% de híbridos plug-in. Este mercado, apesar de quase residual, tem apresentado um forte crescimento nos últimos anos.
Em Portugal a quota de mercado dos veículos eléctricos recarregáveis atingiu 0,61% em 2015, menos de metade da média europeia.

Vendas de automóveis ligeiros de passageiros em Portugal
por tipo de combustível / energia

Artigo_02

Fonte: ACAP

A ACEA – Associação Europeia de Construtores de Automóveis admite que, tendo em conta o mercado actual, a quota de mercado dos veículos eléctricos recarregáveis possa atingir até 8% das vendas no período entre 2020 e 2025.
O aumento da penetração dos automóveis eléctricos dependerá, entre outros factores, do alargamento da infraestrutura de abastecimento e do apoio dado pelos Governos e entidades públicas à mobilidade eléctrica, o que poderá acelerar a sua adopção por parte dos consumidores.
Estamos perante tecnologias com custos muito elevados. A produção de um veículo eléctrico custa cerca de três vezes mais do que a de um automóvel convencional.
Para que os veículos eléctricos entrem numa fase de produção em massa será necessária uma atitude empenhada de todos, desde os fabricantes, com os seus investimentos, aos Governos, com os seus instrumentos fiscais, à comunidade científica, com os seus avanços tecnológicos, aos consumidores, com uma atitude ambiental responsável e pró-activa.
Certamente que a mobilidade eléctrica contribuirá de forma muito significativa para garantir a mobilidade sustentável e para enfrentar com sucesso os desafios ambientais do futuro.

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