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Açores inovador tem novo espaço com fibra

10 fev 2016 Notícias

Açores inovador tem novo espaço com fibra

Açores inovador tem novo espaço com fibra

Açores inovador tem novo espaço com fibra

A Plataforma Internacional Fibrenamics da Universidade do Minho (UMinho) alargou recentemente o seu espaço de atuação ao arquipélago dos Açores, estando já a trabalhar a partir do NONAGON – Parque de Ciência e Tecnologia, em São Miguel.

O desafio foi lançado por parte de empresários e entidades locais dos Açores, há cerca de um ano e meio, num dos momentos de transferência de conhecimento organizado pela Fibrenamics. O grande objetivo consiste em levar a dinâmica de inovação da plataforma para a região açoriana. Segundo Carlos Almeida, coordenador de Marketing da Fibrenamics, “começámos a preparar o terreno, a analisar como é que é caracterizado o tecido empresarial, que oportunidades de inovação poderiam existir nessa região, que agentes já atuavam neste campo da inovação, principalmente a Universidade dos Açores e o Inova (Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores), e tentamos alinhar a nossa estratégia e dinâmica Fibrenamics de forma a complementar o que já existia na região”. Por outro lado, é também premente tentar descobrir setores não explorados na região e perceber que recursos endógenos da região têm potencial para serem valorizados.

Três âncoras num mar de oportunidades de inovação

Após a análise cuidadosa do potencial de inovação da região, chegou-se à conclusão que existem três áreas muito fortes para implementação e desenvolvimento. As fibras naturais de origem vegetal, de conteira ou ananás, são um desses exemplos. Também a exploração do basalto num setor novo de aplicação para a produção da fibra de basalto, devido, por um lado aos recursos endógenos e à abundância local, e por outro lado, ao potencial enorme de mercado que este material apresenta, é outra dessas áreas. Por último, uma terceira âncora será, segundo Carlos Almeida, “algo que consideramos inovador, não só na região mas também a nível mundial” que consiste em aliar a nanotecnologia à valorização de resíduos, indo ao encontro de uma das grandes demandas atualmente da investigação e desenvolvimento que é a nanocelulose. Passar-se-á então por obter, caraterizar e aplicar nanocelulose, através de valorização de resíduos essencialmente florestais, devido à exploração da madeira que é algo também muito abundante na região.

Estes três projetos âncora irão culminar num quarto projeto, que se designa mais como uma tecnologia, os materiais compósitos. “Todos estes projetos âncora têm depois aplicação direta na área dos materiais compósitos”, garante ainda Carlos Almeida.

“Processos bem cautelosos, bem ponderados, bem trabalhados”

A implementação da dinâmica da Fibrenamics noutros locais, bem como o levar a cabo os desafios propostos pelas entidades e empresas são, para Carlos Almeida, “processos que devem ser bem cautelosos, bem ponderados, bem trabalhados, não devem ser de impulso mas sim de muita mais consciência e menos coração”. Por essa razão, o projeto Fibrenamics Azores tem passado por diversas fases e atividades.

A primeira atividade foi há cerca de um ano e consistiu na apresentação local do que é que seria a estratégia para o centro Fibrenamics Açores junto das empresas e entidades da região. Desse momento resultou a primeira grande ação com o intuito de criar algum impacto e alguma dinâmica de conhecimento na região e, para isso, decidiu-se organizar a segunda edição do ICNF (International Conference on Natural Fibres). Este evento foi uma grande oportunidade de ajudar a potenciar e trazer alguma demanda de inovação e conhecimento para a região e, por outro, também trazer pessoas de fora a virem conhecer a região, transformando e catapultando os Açores para uma zona científica de excelência. Ao todo reuniram-se no ICNF mais de 300 investigadores de mais de 45 países diferentes.

Desde o dia 5 de Janeiro e, após alinhada a estratégia de implementação e maturado ainda mais o conceito e o que será a estratégia de atuação, instalou-se no NONAGON, no Parque de Ciência e Tecnologia de S. Miguel, a sede da Fibrenamics Azores. Será neste local onde se irá trabalhar no terreno, com as empresas e as entidades locais, numa ótica de se dar a conhecer a plataforma, o que poderá trazer para a região e conhecer, de forma mais direta, o tecido empresarial da região, bem como estreitar ainda mais os laços com os organismos locais como a Universidade dos Açores e o Inova e também as entidades governamentais e municipais locais. Desta primeira fase de implementação espera-se, como grande projeto para a Fibrenamics Azores, a construção de um centro de inovação, que terá a sua localização também no parque tecnológico e que vai passar pela construção de um edifício novo de raiz, provido de tecnologias e equipamentos, de modo ser o parceiro da inovação e desenvolvimento para as empresas da região.

Nestes próximos três meses, o objetivo da Fibrenamics consistirá em receber também as empresas no NONAGON e em organizar três grandes atividades: uma que será uma sessão mais privada, interna, dentro da Universidade dos Açores, com todos os diretores dos centros e investigadores da Universidade, numa ótica de cooperação e de se apresentar como um parceiro para a Universidade. Neste âmbito, a Fibrenamics está também a concorrer a 3 bolsas de doutoramento, para jovens residentes nos Açores, para que possam desenvolver os seus trabalhos de doutoramentos dentro destas áreas-chave do centro e em parceria com a Universidade dos Açores e com a Universidade do Minho; um Workshop Fibrenamics um pouco à imagem do que têm sido os workshops até agora, mas um pouco mais abrangente e generalista, mais focado na área da inovação, e em que se pretende reunir cerca de 100 empresários da região, mais as entidades locais neste evento, de forma a se fomentar o networking e a partilha de conhecimentos na área da inovação; e o terceiro evento será uma ação de formação mais técnica, mais focalizada no que são os processos de gestão, investigação e desenvolvimento de inovação também muito vocacionado para o tecido empresarial para a introdução de metodologias de inovação, de uma forma mais técnica, junto das empresas.

Fibrenamics, um aliado técnico-científico

Para Carlos Almeida, “nesta primeira fase foi muito gratificante ver que fomos recebidos de braços abertos e com muita expetativa por parte das empresas para poderem começar a trabalhar rapidamente connosco, muitas empresas já surgiram com ideias de inovação, com necessidades atuais, e possivelmente com duas ou três empresas já vamos iniciar trabalhos de parceria e de desenvolvimento de produtos e materiais”. Contudo, também já foi percetível que a dinâmica da inovação ainda é bastante parca na região. O tecido empresarial é constituído maioritariamente por micro ou pequenas empresas, muito focalizadas no mercado interno, para pequenos produtos e serviços e com pouco valor acrescentado, e onde a exportação não é ainda uma realidade para muitas das empresas. Constatou-se também que a busca pela inovação ainda não está enraizada. “Achamos que isso não é um aspeto negativo mas um aspeto positivo porque certamente que será uma boa oportunidade para todas as empresas e que nos fará ter muita “matéria-prima” para trabalhar em termos de inovação. Há muita capacidade tecnológica que ainda está por maturar ou por desenvolver, muitos produtos que podem surgir, muitos mercados que as empresas podem começar a trabalhar, muitos produtos de valor acrescentado que podem começar a exportar, e é exatamente isso o objetivo que queremos com estes dois momentos que vamos organizar no NONAGON, introduzir um pouco este espírito de inovação junto das empresas e que certamente lhes trará frutos a médio e longo prazo”, assegura o Coordenador de Marketing da Fibrenamics.

Conhecimento além-fronteiras

A Fibrenamics sempre se pautou por ser uma plataforma multissetorial, multidisciplinar e internacional. Sempre teve parceiros do Brasil, de Inglaterra, de França, da Alemanha, entre outros, e o seu objetivo de fazer chegar o conhecimento, neste caso dos materiais fibrosos, sempre foi universal.

Os Açores foi o local onde a Fibrenamics deu o primeiro passo. A par disso, no ano passado foi introduzido um espaço em S. João da Madeira, que é um processo que ainda está a maturar, e onde já foram organizados dois workshops, um na Sanjotec e outro na Oliva Creative Factory. Em Peniche, a Fibrenamics também foi desafiada pelos estaleiros navais para introduzir esta dinâmica da inovação muito mais na ótica dos materiais compósitos para a náutica, estando também em negociações para abrir um polo de investigação e desenvolvimento de materiais compósitos para a indústria náutica nos estaleiros navais de Peniche. Mas o trabalho da Fibrenamics não se estende apenas a Portugal, no final do último ano também surgiu o desafio, por parte do Brasil e da Argentina, para a introdução desta dinâmica nesses países da América Latina.

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