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As Fibras para o futuro devem ser sustentáveis

15 jul 2019 Notícias

As Fibras para o futuro devem ser sustentáveis

As Fibras para o futuro devem ser sustentáveis

Artigo de opinião do Prof. Xungai Wang, Pro Vice-Reitor na Deakin University

No meu papel como Pro Vice-Reitor na Deakin University e Diretor do ARC Research Hub for Future Fibres, muitas vezes me perguntam quais são as fibras do futuro, uma questão que também coloco a mim próprio.

Lembro-me de em junho de 2012 fazer esta mesma pergunta a um grupo de investigadores de materiais fibrosos da CSIRO e Deakin University. As respostas foram desde fibras de alto desempenho como as fibras de carbono até às “nature’s wonder fibres’ como a lã e as fibras ainda por descobrir. Já em 2009 tínhamos decidido que o nosso foco de pesquisa deveria ser na área das fibras naturais, fibras de carbono, materiais fibrosos funcionais e nanofibras. Esse foco ainda hoje se mantem na Deakin University, enquanto o CSIRO alterou a sua linha de pesquisa para se focar apenas em fibras de carbono e pesquisa associada.

A 1ª International Conference on Natural Fibers (ICNF) foi realizada na cidade histórica de Guimarães (Portugal), em junho de 2013, com foco em Materiais Sustentáveis para Aplicações Avançadas. Com todo o crédito para o mentor e Chair, Professor Raul Fangueiro, esta série de conferências ganhou uma enorme relevância internacional na comunidade de investigadores em fibras e têxteis. O tema da 4ª International Conference on Natural Fibers, recentemente realizada, foi Smart Sustainable Solutions. A “sustentabilidade” tem sido por isso um foco contínuo para esta série de conferências, e com toda a razão.

O que é excelente nas fibras naturais é que elas fornecem uma fonte constante de inspiração para investigadores e indústria para revelar e imitar as suas estruturas hierárquicas e propriedades intrínsecas únicas.
As fibras do futuro são fibras para o futuro e as fibras para o futuro devem ser sustentáveis. Neste contexto, as fibras naturais têm um futuro brilhante, desde que toda a sua cadeia de valor, desde a produção de fibras até ao seu processamento e utilização final, permaneça “verde” e sustentável. É também o que entendíamos por “fibras naturais verdes” em 2009. Há ainda um longo caminho a percorrer, mas as fibras naturais permanecerão como membros-chave da família das futuras fibras.

Existem muitos tipos de fibras naturais, derivadas de fonte animal, fonte vegetal e até mesmo de fonte mineral. As suas aplicações foram muito além de suas tradicionais utilizações em têxteis e vestuário. Atualmente, as fibras naturais são utilizadas rotineiramente nos compósitos e na indústria biomédica.

O que é excelente nas fibras naturais é que elas fornecem uma fonte constante de inspiração para investigadores e indústria para revelar e imitar as suas estruturas hierárquicas e propriedades intrínsecas únicas. Continuamos a descobrir novos atributos nas fibras naturais, assim como adicionamos novas funcionalidades a essas mesmas fibras através de esforços multidisciplinares. No futuro, as funcionalidades adicionadas não devem no entanto ser introduzidas à custa da sustentabilidade, e toda a cadeia de valor precisará ser circular.

Há atividades de pesquisa empolgantes a acontecer neste preciso momento na área de design e desenvolvimento de polímeros utilizando fontes biológicas.
Na era da economia circular, o design será um aspeto crítico. Quero mesmo dizer design em todas as fases, desde o design do polímero/fibra, até à composição do fio e design da estrutura do tecido, para que o produto final seja facilmente reutilizável, reciclável ou biodegradável. Um caso em questão é a mistura de fibras. Misturas de algodão e poliéster são predominantes no mercado de vestuário, mas a reciclagem de tais misturas é notoriamente difícil. É concebível que tais misturas sejam gradualmente substituídas por tipos de fibras mais sustentáveis e compatíveis no futuro. O desafio da I&D torna-se-á então na criação de misturas de fibras mais sustentáveis e compatíveis com comportamento semelhante, ou até melhor, que as misturas típicas de poliéster e de algodão em termos de desempenho, durabilidade e custo do produto. Há atividades de pesquisa empolgantes a acontecer neste preciso momento na área de design e desenvolvimento de polímeros utilizando fontes biológicas. Há margem para desenhar certos atributos de desempenho nestes novos polímeros, garantindo que as fibras e os produtos derivados de materiais naturais possam efetivamente competir com os sintéticos dominantes.

Estou ansioso para ouvir mais sobre essas e outras atividades relacionadas com fibras naturais nas próximas edições da ICNF.

 

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