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O papel das fibras nos equipamentos de proteção

15 jul 2016 Notícias

O papel das fibras nos equipamentos de proteção

O papel das fibras nos equipamentos de proteção

Artigo de opinião de João Fidalgo Neves – Capitão Tenente da Direção-geral de Recursos da Defesa Nacional

A proteção individual e/ou coletiva tem sido sempre uma das maiores preocupações da Defesa, desde tempos imemoriais. Seja numa vertente de proteção mecânica (impacto, corte, perfuração, etc), térmica, de camuflagem, ou outras, representam um fator de vantagem tática que, a par de outras componentes, tem permitido diferenciar vencedores de vencidos.
A evolução tecnológica nesta matéria tornou-se também um fator diferenciador e está longe de atingir a perfeição, seja pelo facto de a própria evolução assim o demonstrar, à semelhança do que acontece na lei de Moore, seja pelo facto de que a evolução das próprias ameaças também exige aos defensores dos direitos fundamentais da sociedade uma capacidade de se protegerem eficazmente.

Do ponto de vista da Defesa, este é sempre um assunto da maior relevância e onde os investimentos não param de se fazer (e não podem parar) pois os espaços de interesse onde as Forças Armadas atuam caraterizam-se por uma variedade de fatores que, até à data, se têm demonstrado impossíveis de abordar com uma solução do tipo “one fits all”.

Ao nível da Defesa Nacional estas preocupações têm estado bem presentes nos últimos anos com apostas bem claras em projetos de Investigação e Desenvolvimento, em protocolos de cooperação ou em ações colaborativas que, desejavelmente, se transferem para processos aquisitivos e de modernização das próprias Forças Armadas.
Estas apostas são a materialização de um conjunto de documentos superiormente definidos e que, ao nível da Defesa, começam por derivar do próprio Conceito Estratégico de Defesa Nacional, transversal a todos os seus vetores e linhas de ação estratégica, seja por via da Defesa da Posição Internacional de Portugal, pela Promoção do equilíbrio financeiro e do crescimento económico ou por via da Valorização do Conhecimento, da Tecnologia e da Inovação.
É à Direção-geral de Recursos da Defesa Nacional, inserida na estrutura orgânica do MDN, que incumbe a missão de conceber, desenvolver, coordenar e executar as políticas de recursos humanos, armamento, equipamentos, património e infraestruturas necessários à defesa nacional. Especificamente, a DGRDN prossegue essas atribuições no âmbito das políticas de investigação e desenvolvimento necessárias às Forças Armadas e à defesa nacional, orientando essa sua ação através da estratégia de Investigação e Desenvolvimento de Defesa.
Neste documento de orientação estratégico estão contempladas um conjunto de tecnologias prioritárias, tais como materiais avançados, nanotecnologias, ambiente operacional e até, especificamente, a proteção individual. Naturalmente que as fibras não são especificamente abordadas neste documento estratégico uma vez que são um material. Mas estão perfeitamente enquadradas pelas tecnologias acima identificadas e permitem colmatar, de forma cada vez mais eficaz, os problemas existentes ao nível das lacunas do Sistema de Forças Nacional.

Um dos exemplos mais pragmáticos desta aposta e do respetivo apoio materializa-se através do projeto AUXDEFENSE, que foi selecionado de entre um vasto conjunto de projetos nacionais submetidos ao MDN no âmbito de uma Call para projetos de I&D, em 2014, após um processo de seleção realizado por um júri independente e que contou com representantes de entidades nacionais de vários setores (civis e militares).

Este projeto pretende desenvolver produtos inovadores de elevado desempenho, em termos de proteção mecânica (impacto, corte e perfuração) tendo por base estruturas auxéticas avançadas, conta com 8 parceiros nacionais e obteve uma das melhores pontuações pelo seu caráter tecnológico inovador, mas também, pelo elevado interesse que representa para as Forças Armadas e pelo seu elevado potencial económico futuro. Ou seja, um enquadramento perfeitamente ajustado aos objetivos dos documentos acima mencionados mas que se enquadram também em políticas mais transversais aos restantes setores nacionais, tais como a ciência, a educação, a economia, a indústria, etc.

No entanto, não será ainda demais realçar que o setor das fibras e dos materiais avançados tem sido um dos setores tecnológicos que mais tem crescido em Portugal de forma sustentada e objetiva, reconhecido não só ao nível da Defesa, através de uma participação nacional muito ativa e extensiva em programas internacionais, incluindo na EDA e na NATO, mas também em programas e projetos de caráter civil.
Programas como o do soldado do futuro, a proteção individual, a proteção de forças, os materiais para proteção e robustez de veículos terrestres, marítimos (incluindo submarinos) e aéreos e os materiais avançados para veículos espaciais (permanência no espaço e reentradas na atmosfera), que são de elevado interesse para as Forças Armadas, têm sido um fator motivador e catalisador que deverá fomentar a concentração nacional de um conhecimento de excelência de utilização civil-militar.

Não se espera que em todos estes ambientes se encontrem as fibras (na conceção mais básica do termo), mas para todos os ambientes e utilizações o conhecimento tecnológico que daí deriva será um contributo inestimável para que continuem a desempenhar um papel fundamental no posicionamento adequado de Portugal no mundo (…das fibras!).

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