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A importância das relações Universidade-Empresa no quadro de desenvolvimento económico – O papel da Fibrenamics

15 set 2015 Notícias

A importância das relações Universidade-Empresa no quadro de desenvolvimento económico – O papel da Fibrenamics

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A importância das relações Universidade-Empresa no quadro de desenvolvimento económico – O papel da Fibrenamics

Artigo de opinião de Carlos Neves – Vice-Presidente da CCDR-N

É reconhecida a relevância que as Universidades têm para a mudança do modelo de desenvolvimento sócio-económico de Portugal. As Universidades são aqui entendidas no lato senso das instituições do ensino superior e, por isso, englobando neste conceito os Institutos Politécnicos. Este reconhecimento é, aliás, generalizado a qualquer país que coloque o desenvolvimento na agenda das suas prioridades.

É um lugar-comum falar-se da importância das relações Universidade – Empresa, como vetor determinante para influenciar o desenvolvimento económico de qualquer território. Pode até dizer-se que este tipo de relação “já não é o que era”, verificando-se uma evolução muito significativa neste domínio a nível nacional e na Região do Norte em particular. Com efeito, os notáveis resultados evidenciados por alguns setores da nossa indústria, como sejam o têxtil, o calçado, a metalomecânica, o mobiliário, a agro-indústria, entre muitos outros, demonstram claramente a tendência de crescimento das empresas destes setores nas respetivas cadeias de valor, através da intensificação tecnológica da matriz produtiva. Ora, esta realidade é sobretudo o resultado dos processos de inovação empresarial que combinam as bases cognitivas com as produtivas, resultando assim maior valor no produto e no serviço entregue ao mercado. Este incremento assinalável da inovação empresarial está associado a uma crescente interação das empresas com o Sistema Científico e Tecnológico (SCT). Esta é, aliás, uma evidência em todos os países desenvolvidos, onde a estreita cooperação entre Empresas e Universidades faz parte da solução na complexa equação da competitividade.

Mesmo estando em franco progresso, a relação Universidade – Empresa ainda revela evidentes dificuldades. Desde logo, no nível de interlocução entre estes dois tipos de atores. Apesar de revelar uma franca melhoria, a comunicação entre empresários e investigadores evidencia ainda problemas de natureza semântica, onde ambas as partes necessitam de fazer um esforço para ajustar o “comprimento de onda” da comunicação e adotar uma gramática comum que facilite a cooperação. Alguma desta falta de sintonia provém da dificuldade em articular os objetivos das partes, os quais, sendo distintos, podem obviamente ser compatibilizados. Outro domínio que carece de melhoria prende-se com as abordagens temporais aos projetos de cooperação Universidade – Empresa. Sendo entidades de naturezas completamente distintas, os contextos em que se movem têm exigências ao nível dos tempos de resposta que revelam dificuldades de compatibilização. Isto é, encontrar o equilíbrio temporal entre o ciclo de I&D, da Universidade, com as exigências do “time to market”, da Empresa, tem sido uma das maiores dificuldades neste tipo de cooperação.

Não obstante as dificuldades que urge ultrapassar, importa ter o foco nas oportunidades que o presente nos estimula a aproveitar. O Portugal 2020 é seguramente uma dessas oportunidades.

No quadro Portugal 2020, o domínio temático da Competitividade e Internacionalização representa um pouco mais de 40% da dotação de verbas de todos os programas operacionais, sendo que no programa Norte 2020, essa dotação ultrapassa os 60%. Neste âmbito, assumem particular importância as estratégias regionais de especialização inteligente, enquanto referenciais estratégicos determinantes para que as políticas de inovação tenham impactos efetivos na competitividade dos territórios e, por consequência, no crescimento e no emprego. O paradigma da especialização inteligente preconiza que a política de inovação tenha identificadas as prioridades estratégicas de cada região, assentes nos seus recursos e nos ativos existentes (tecnológicos e não tecnológicos) e na capacidade de desenvolvimento de uma base empresarial residente suficientemente competitiva à escala global, bem como, seja concebida de forma facilitar os fluxos de conhecimento entre os atores do SCT e do meio empresarial. Estas prioridades estratégicas conjugam uma perspetiva vertical de fileira com uma outra de natureza horizontal de variedade relacionada, explorando o potencial de cruzamento de diferentes bases tecnológicas e empresariais multissetoriais, desenvolvendo cadeias de valor intensivas em conhecimento e cuja inovação está fortemente orientada à procura. O cruzamento destas duas dimensões, capital humano e estrutura económica, permite identificar os nós onde existe massa crítica relevante para a identificação dos principais domínios de especialização inteligente. No caso da Região do Norte, no âmbito do Norte 2020, foram identificados oito domínios prioritários de especialização, a saber: Ciências da Vida e da Saúde; Sistemas Avançados de Produção; Cultura, Criação e Moda; Sistemas Agroambientais e Alimentação; Capital Simbólico, Tecnologias e Serviços do Turismo; Recursos do Mar e Economia; Capital Humano e Serviços Especializados; Indústrias da Mobilidade e Ambiente (www.norte2020.pt).

Neste âmbito da especialização inteligente, o programa operacional Norte2020 tem disponível um vasto conjunto de instrumentos que estimulam a cooperação Universidade – Empresa, desde os sistemas de incentivos, em particular o da Investigação e Desenvolvimento Tecnológico, o apoio a programas doutorais e pós-doc desenvolvidos em articulação com as empresas, o apoio à contratação pelas empresas de doutorados e pós-doutorados, entre outros. Ainda no âmbito dos instrumentos de política pública que apoiam esta cooperação, importa destacar o “Instrumento PME”, enquadrado no programa europeu Horizonte 2020, de estímulo à investigação e inovação empresariais. Tratando-se de um programa europeu, a competição pelos fundos é muito mais exigente e é recomendável que as candidaturas a estes projetos estejam ancoradas em parcerias entre as empresas e entidades do SCT.

O estímulo à concretização destas parcerias necessita, frequentemente, de agentes facilitadores da dinâmica de cooperação. A FIBERNAMICS, enquanto plataforma multissetorial de inovação, assume essa missão de fazer a ponte entre o meio científico e o meio empresarial, promovendo o eficaz relacionamento entre as partes e criando um ambiente favorável para o desenvolvimento de projetos de I+D+I. Trata-se pois, de um ator fundamental para que o processo bidirecional de transferência de conhecimento aconteça entre o SCT e as empresas.

O desafio de mudar o perfil de especialização do tecido empresarial, regional e nacional, ancorando-o numa economia baseada no conhecimento e na inovação para assegurar mais crescimento e mais emprego, requer dinâmicas de cooperação multi-entidades e multissetoriais. As Universidades, as Empresas e as Plataformas de Inovação têm, pois, a responsabilidade de serem atores principais neste desígnio de mudança.

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