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As Tecnologias da Nova Década

01 jan 2020 Notícias

As Tecnologias da Nova Década

As Tecnologias da Nova Década

Artigo de opinião de João Bessa Technology Manager na Fibrenamics — Universidade do Minho

“A necessidade é a mãe da inovação.” (Platão). Falar de inovação atualmente já não se trata propriamente de algo diferenciador uma vez que toda a gente a procura alcançar, mas trata-se de algo desafiador, na medida em que a forma de a procurar e concretizar é decisiva para o sucesso.

Desde os primórdios da história da humanidade, de facto, a inovação tem sido muitas vezes promovida e liderada pela necessidade, tendo originado as denominadas Revoluções Industriais. Foi assim no século XVIII com a descoberta da utilidade do carvão como fonte de energia e o consequente surgimento da máquina a vapor, despoletada pela necessidade de aumentar a capacidade produtiva de vários setores, como o têxtil, e a respetiva expansão de comércios internacionais. Foi assim no século XIX com a descoberta da eletricidade, a produção de materiais de base metálica, como o aço e o alumínio, e a modernização da indústria, de forma a permitir a semi-automatização de sistemas de produção em massa, proporcionando a aceleração e crescimento da economia mundial, avanços estes com especial impacto nas áreas automóvel e bélica. Foi também assim no século XX quando a tendência para um crescimento exponencial da população se começou a verificar, levando à necessidade de renovação de processos económicos, políticos e sociais que se configuraram na utilização combinada de diferentes fontes de energia, na descoberta da área da informática e nas primeiras preocupações relacionadas com o impacto do desenvolvimento tecnológico no meio ambiente.

Até que atingimos no século XXI uma quarta onda de Revolução industrial, tipicamente designada por Indústria 4.0, termo este que surgiu publicamente pela primeira vez em 2011, na Alemanha.

É bom não esquecer que a população mundial cresceu cerca de 285% nos últimos 89 anos, desde os 2 mil milhões em 1930 até aos 7,7 registados em 2019
Este novo modelo industrial é assente sobretudo na tendência de digitalização que atualmente emerge nos mais variados setores de desenvolvimento, tendo como principal objetivo conectar e interligar equipamentos, sistemas e ativos, através de redes tecnológicas inteligentes, com o objetivo de melhorar os processos de monitorização e tomada de decisão do ser humano. Assim, esta nova fase está a ser impulsionada por um conjunto de tecnologias disruptivas como a inteligência artificial, robótica, biologia sintética, big data, realidade aumentada, nanotecnologia, IoT (Internet of Things), impressão 3D, entre outras, onde cada vez mais dispositivos, equipamentos e objetos serão conectados entre si, estabelecendo sinergias fundamentais para a definição de sistemas de produção avançada, capazes de otimizar os processos em função das necessidade dos utilizadores e o consumo de recursos materiais e energéticos.

Neste contexto, com o desenvolvimento da tecnologia a verificar-se a um ritmo aproximado do registado no crescimento populacional (é bom não esquecer que a população mundial cresceu cerca de 285% nos últimos 89 anos, desde os 2 mil milhões em 1930 até aos 7,7 registados em 2019), e depois dos avanços verificados a este nível nos últimos anos, muitas expectativas têm vindo a ser criadas para a próxima década, na qual se espera que esta quarta revolução industrial possa atingir o seu pico. A título de exemplo, não deixa de ser curioso recordar a expectativa presente na edição de 1949 da revista Popular Mechanics, quando apontava que “no futuro, os computadores podem pesar não mais que 1,5 toneladas.”! Apenas 70 anos depois, em 2019, já estiveram disponíveis no mercado computadores portáteis com pesos inferiores a 1 kg.

Das várias inovações e tecnologias que prometem marcar e dominar a nossa atenção na próxima década talvez se possam elencar como algumas das mais prementes as seguintes: IoT, 5G, inteligência artificial, veículos autónomos e cidades inteligentes.

Internet of Things (IoT)

A Internet das coisas, ou Internet of Things (IoT), apesar de atualmente já ser um conceito dominante, ainda não se encontra implementado de forma massiva e eficaz nas organizações e na sociedade esperando-se que nesta década possa dar um passo decisivo rumo a esse objetivo. A partir destes dispositivos inteligentes, as empresas terão a possibilidade de captar dados com maior detalhe, permitindo uma melhor análise em tempo real e tomada de decisão em relação a determinados problemas e imprevistos.

5G

Anunciada já, de forma recorrente, como uma das principais inovações a surgir no início desta década, o 5G promete trazer grandes melhorias às empresas, sobretudo no que à diminuição da latência diz respeito, contribuindo igualmente para um forte impulso na área da IoT. Por outro lado, o desenvolvimento e implementação desta tecnologia no mercado permitirá igualmente contribuir para a redução dos cabos de rede e de energia, ainda muito utilizados para o estabelecimento de comunicações.

Inteligência artificial

Com os avanços no campo da Inteligência Artificial, os computadores estão-se a tornar mais rápidos e inteligentes que os humanos. Esta tendência pode alterar a forma como trabalhamos uma vez que diversas profissões poderão, num futuro próximo, tornar-se obsoletas pelo desenvolvimento e introdução de robots no desempenho das mesmas. Em contexto industrial estima-se que a linha de produção venha a ser quase inteiramente automatizada, diminuindo consideravelmente a mão-de-obra humana nas fábricas. De acordo com dados estatísticos recentes, a automação de processos pode eliminar até sete milhões de empregos industriais nos países mais desenvolvidos do Mundo.

Veículos autónomos

Depois de a Tesla ter sido pioneira neste âmbito várias têm sido as empresas a trabalhar neste sentido, com o objetivo de alcançar este desiderato tecnológico. A implementação e maturação desta tecnologia permitirá, seguramente, aumentar a segurança pela diminuição do número de acidentes rodoviários. Esta evolução será relevante se tivermos em mente que, atualmente, 95% dos acidentes rodoviários ocorrem por erro humano. Por outro lado, o alcance deste target tecnológico possibilitará o fomento de novas oportunidades de negócio para as empresas com o objetivo de ocupar os tempos de viagem respetivos.

Cidades inteligentes

Ainda que as preocupações em torno da segurança cibernética sejam cada vez maiores devido à evolução verificada nos sistemas de programação informáticos, o desenvolvimento de cidades inteligentes, ou smart cities, é um dos principais desenvolvimentos tecnológicos em curso, uma vez que se perspetiva que em 2050 70% da população mundial possa habitar áreas urbanas. Assim, através de diferentes tipos de sensores eletrónicos, e como uma consequência natural da IoT, pretende-se coletar e integrar toda a informação gerada por diversos recursos e ativos de forma a poderem ser geridos de forma mais eficiente, como por exemplo na monitorização de sistemas de tráfego e de transporte.

Naturalmente que outros conceitos tecnológicos poderiam igualmente ser destacados neste artigo. Contudo, há algo que será porventura transversal a uma boa parte de todos eles, os materiais, como o substrato necessário para o desenvolvimento e integração de novas funcionalidades, capazes de transportar a inovação para o nosso dia-a-dia. Porém, o meio e os fins com que os podemos desenvolver serão fundamentais para o trilhar bem-sucedido deste caminho de inovação, numa economia e sociedade em que os riscos de desigualdade social podem ser exponenciados. Para que possamos, efetivamente, ser consequentes com a ideia de que “estamos agora no caminho de lançar o mais ambicioso programa europeu de pesquisa e inovação de todos os tempos em 2021, moldando o futuro para uma economia europeia forte, sustentável e competitiva, beneficiando todas as regiões da Europa.” (Carlos Moedas, ex-Comissário Europeu, 20 de março 2019).

 

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